Visão geral
A extração do terceiro molar, popularmente conhecido como siso, é um procedimento cirúrgico realizado dentro da boca, sob anestesia local. O siso pode estar irrompido, parcialmente irrompido ou totalmente incluso no osso, e cada situação tem um pós-operatório um pouco diferente. O que define uma recuperação tranquila não é só a cirurgia em si, é o cuidado dos primeiros dias em casa. Logo após a extração, forma-se um coágulo no alvéolo, que é o espaço onde o dente estava. Pensa nesse coágulo como o curativo natural da ferida: é ele que protege o osso e dá início à cicatrização. Proteger esse coágulo nas primeiras 24 horas é a parte mais importante de todo o pós-operatório. Inchaço, um pouco de dor e dificuldade para abrir a boca são esperados e fazem parte do processo. Seguindo as orientações abaixo, a grande maioria dos pacientes se recupera bem e sem complicações.
Resumo: pode e evite
✓ Pode
- Morder firme a gaze sobre a região operada na primeira hora, conforme orientação, para ajudar a estancar
- Aplicar gelo por fora, na bochecha do lado operado, sempre com um pano entre o gelo e a pele para não queimar, em ciclos nas primeiras 24 a 48 horas
- Dormir com a cabeça elevada (dois travesseiros) nas primeiras 2 a 3 noites
- Manter alimentação líquida e pastosa, gelada ou fria, por pelo menos três dias
- Escovar normalmente os outros dentes durante toda a recuperação, com cuidado ao chegar perto da área operada na primeira semana
- Tomar as medicações prescritas rigorosamente nos horários
- Repousar nas primeiras 48 horas
✕ Evite
- Cuspir, bochechar com força ou fazer qualquer sucção nas primeiras 24 horas (desloca o coágulo)
- Usar canudo nas primeiras 48 a 72 horas (a pressão negativa solta o coágulo)
- Fumar por pelo menos 72 horas, idealmente durante toda a primeira semana (é o maior fator de risco para alveolite seca)
- Cutucar a região com a língua, o dedo ou a escova durante a primeira semana
- Mastigar do lado operado na primeira semana
- Alimentos quentes nas primeiras 72 horas (aumentam o sangramento e o inchaço)
- Alimentos com grãos, sementes ou pedacinhos que possam entrar no alvéolo (arroz, granola, pipoca, castanhas, sementes) na primeira semana
- Alimentos duros, crocantes ou que exijam muita mastigação na primeira semana
- Esforço físico e atividade física por pelo menos uma semana
- Álcool durante o uso das medicações
- Exposição ao sol forte e calor intenso na primeira semana
Linha do tempo da recuperação
Primeiras 24 horas
Forma-se o coágulo no alvéolo. É a fase mais importante para protegê-lo. Morder a gaze conforme orientação ajuda a estancar. Um leve sangramento, com a saliva rosada, é esperado. Quando a anestesia local vai passando, é normal sentir um pico de dor ao longo deste primeiro dia, que faz parte e costuma ser controlado com a medicação prescrita. Se a dor for extrema, entre em contato com o Dr. Gustavo. Repouso, cabeça elevada, gelo por fora com pano e alimentação gelada e pastosa.
Primeira noite
É normal sangrar um pouco enquanto dorme. Não se assuste se acordar com o travesseiro levemente manchado de sangue. Já um sangramento intenso, que encharca, não é esperado e pede contato com a clínica.
48 a 72 horas
O inchaço (edema) e a dificuldade de abrir a boca (trismo) costumam atingir o pico. É a fase mais desconfortável e é totalmente esperada. O gelo por fora ainda ajuda. Os bochechos suaves já podem ser feitos.
3 a 5 dias
O inchaço começa a ceder e a dor a diminuir. Atenção: se a dor, em vez de melhorar, aparecer forte ou piorar nesse período, pode ser sinal de alveolite seca e precisa de contato com a clínica.
Primeira semana
Melhora progressiva. A mucosa vai fechando. A alimentação macia ainda é a mais confortável. Continue evitando grãos, sementes e alimentos duros.
7 dias
Retorno para a retirada dos pontos. O fio utilizado não é reabsorvível e a retirada é feita na consulta com o Dr. Gustavo.
2 a 4 semanas
A mucosa já está cicatrizada na maioria dos casos e a mastigação vai voltando ao normal. O alvéolo vai sendo preenchido por dentro. O osso leva mais alguns meses para se remodelar completamente, e isso acontece sem você perceber.
Cuidados detalhados
Controle do sangramento
Logo após a cirurgia, morda firme a gaze colocada sobre a região, conforme a orientação, por 30 a 60 minutos, para fazer pressão e ajudar a estancar. Se precisar trocar, enrole uma gaze limpa e umedecida, posicione sobre o local e morda por mais 30 minutos. Um sangramento leve, que deixa a saliva rosada, é normal nas primeiras 24 horas, incluindo a primeira noite. Não se assuste se acordar com o travesseiro um pouco manchado. O que não é esperado é sangramento intenso e contínuo, que encharca a gaze e não cede após 1 a 2 horas de compressão. Nesse caso, entre em contato com a clínica.
Proteção do coágulo
Esse é o cuidado mais importante das primeiras 24 horas. O coágulo é o curativo natural do alvéolo. Durante o primeiro dia: não cuspa, não bocheche com força, não faça sucção e não use canudo. Evite cutucar a região com a língua ou o dedo durante toda a primeira semana. Quando o coágulo se solta cedo demais, o osso fica exposto e surge a alveolite seca, que dói bastante. Proteger o coágulo é proteger a sua recuperação.
Gelo e inchaço
Aplique gelo por fora, na bochecha do lado operado, sempre com um pano ou uma compressa entre o gelo e a pele, para não queimar. Use em ciclos de cerca de 15 a 20 minutos com e 15 a 20 minutos sem, durante as primeiras 24 a 48 horas. O inchaço costuma atingir o pico entre 48 e 72 horas e regride ao longo da primeira semana. Pode aparecer também uma mancha arroxeada na pele da bochecha ou do pescoço (equimose), que é normal e some sozinha em cerca de 1 a 2 semanas.
Higiene e bochechos
Mantenha a higiene dos outros dentes normalmente desde o primeiro dia, escovando com cuidado ao chegar perto da área operada durante a primeira semana. Nas primeiras 24 horas, não faça bochechos. A partir do segundo dia até a retirada dos pontos, em 7 dias, faça bochechos suaves, sem força, com água morna e sal ou com o antisséptico que eu indicar. A boca é um ambiente naturalmente cheio de bactérias, por isso a higiene é importante para evitar infecção, mas sempre com delicadeza na região operada.
Alimentação
Por pelo menos três dias, mantenha a alimentação líquida e pastosa, gelada ou fria. Opções boas: iogurte gelado, vitaminas tomadas no copo (sem canudo), purês frios, sopas frias, gelatina e sorvete sem pedaços crocantes. O frio ajuda no conforto e a consistência mole protege a ferida. Evite alimentos quentes nas primeiras 72 horas, porque o calor favorece o sangramento e o inchaço. Durante a primeira semana, fuja de alimentos com grãos, sementes ou pedacinhos pequenos, como arroz, granola, pipoca, castanhas e sementes, que podem entrar no alvéolo e atrapalhar a cicatrização, e também dos alimentos duros e crocantes. A partir do quarto dia, vá normalizando a alimentação aos poucos, conforme o conforto, sempre mastigando do lado oposto à cirurgia. Os alimentos mais duros costumam ser liberados após a avaliação no retorno, em 7 dias.
Medicações
Siga rigorosamente a prescrição. Podem ser indicados analgésico, anti-inflamatório, antibiótico e antisséptico bucal. O analgésico e o anti-inflamatório costumam ser usados nos primeiros 3 a 5 dias ou conforme a dor. Se houver antibiótico, complete todo o ciclo, geralmente de 7 dias, mesmo que se sinta bem antes, porque interromper cedo favorece a infecção. Tome nos horários certos e não troque, não acrescente e não suspenda nenhuma medicação por conta própria.
Fumo e álcool
Não fume por pelo menos 72 horas e, idealmente, durante toda a primeira semana. O cigarro é o maior fator de risco para a alveolite seca, porque prejudica a cicatrização e a sucção da tragada desloca o coágulo. Evite o álcool enquanto estiver tomando medicação, no mínimo durante os primeiros dias.
Repouso e atividade física
Repouse nas primeiras 48 horas e durma com a cabeça elevada nas primeiras 2 a 3 noites. Evite esforço físico e academia por pelo menos uma semana, porque o esforço aumenta a pressão e o risco de sangramento. A partir de 7 a 10 dias, a volta às atividades deve ser gradual.
Trismo e dormência
É comum sentir a boca meio travada, com dificuldade para abrir bem (trismo), nos primeiros dias. Isso costuma melhorar ao longo de 7 a 14 dias, e movimentos leves de abertura e fechamento ajudam. Em alguns casos, principalmente no siso inferior, pode haver dormência do lábio, do queixo ou da língua, porque a raiz fica próxima de nervos da região. Na maioria das vezes essa sensação melhora ao longo de dias a semanas. Se persistir por mais de algumas semanas, me avise no retorno.
Retorno e consultas
O retorno para a retirada dos pontos é em 7 dias. O fio não é reabsorvível e precisa ser retirado na consulta comigo. Não pule o retorno, mesmo que esteja se sentindo bem, porque é nele que avalio a cicatrização e retiro os pontos.
As orientações podem variar conforme avaliação individual do Dr. Gustavo Martins.
Sinais de alerta
Esses sinais são incomuns, mas exigem contato imediato com a clínica:
- Sangramento intenso e contínuo, que encharca a gaze repetidamente e não cede com a compressão
- Dor forte que aparece ou piora a partir do 3º ao 5º dia (pode indicar alveolite seca)
- Febre acima de 38°C
- Inchaço que continua crescendo de forma progressiva depois das primeiras 72 horas
- Secreção purulenta, gosto ruim persistente ou odor fétido na região
- Dificuldade crescente para abrir a boca, engolir ou respirar
- Dormência do lábio, do queixo ou da língua que não melhora com o passar dos dias
- Qualquer sintoma que cause preocupação ou que fuja do esperado
Na dúvida, entre em contato. É sempre melhor verificar do que ignorar um sinal precoce.
Perguntas frequentes
A alveolite seca acontece quando o coágulo que protege o alvéolo se solta cedo demais e o osso fica exposto. O principal sinal é uma dor forte que aparece ou piora a partir do terceiro ao quinto dia, em vez de melhorar. Para evitar: proteja o coágulo nas primeiras 24 horas, não cuspa nem bocheche com força, não use canudo, não faça sucção e, principalmente, não fume. Se a dor piorar nesse período, entre em contato comigo.
Sim. Um sangramento leve, que deixa a saliva rosada, é esperado nas primeiras horas e na primeira noite. Não se assuste se acordar com o travesseiro um pouco manchado de sangue. O que não é normal é um sangramento intenso e contínuo, que encharca a gaze. Nesse caso, entre em contato com a clínica.
O inchaço costuma atingir o pico entre 48 e 72 horas e depois começa a ceder. A dor é maior nos primeiros dias e vai diminuindo com a medicação. Se a dor, em vez de melhorar, aparecer forte a partir do terceiro ao quinto dia, me avise, porque pode ser alveolite seca.
O ideal é não fumar durante toda a recuperação. O cigarro é o maior fator de risco para a alveolite seca, porque prejudica a cicatrização e a sucção da tragada desloca o coágulo que protege a ferida.
Mantenha a alimentação líquida, pastosa e gelada por pelo menos três dias. Depois disso, vá normalizando aos poucos, conforme o conforto, sempre mastigando do lado oposto ao da cirurgia. Alimentos duros, crocantes e com grãos ou sementes devem ser evitados na primeira semana.
Sim. O fio utilizado não é reabsorvível e é retirado na consulta de retorno comigo, geralmente em 7 dias.
Sim. A dificuldade de abrir bem a boca, chamada de trismo, é comum nos primeiros dias e melhora sozinha com o passar do tempo. Movimentos leves de abertura e fechamento ajudam a recuperar a mobilidade.
Em alguns casos, principalmente no siso inferior, pode haver dormência do lábio, do queixo ou da língua, porque a raiz fica próxima de nervos da região. Na maioria das vezes é passageira e melhora com o tempo. Se persistir, me avise no retorno.
Estas orientações são gerais e podem ser ajustadas conforme o procedimento realizado, a situação do dente, a resposta individual e a avaliação do Dr. Gustavo Martins.
Ficou com alguma dúvida?
Estou à disposição para qualquer pergunta no pós-operatório da extração do siso. Sua segurança e seu conforto são minha prioridade.