Existe uma pergunta que faço mentalmente antes de incluir qualquer protocolo no meu planejamento: esse procedimento trabalha a favor da biologia do paciente, ou apesar dela?
O iPRF trabalha a favor. Completamente. Porque ele é feito com o sangue do próprio paciente, sem nenhuma substância externa. Não tem aditivo, não tem produto sintético. É o organismo estimulando a si mesmo.
Por isso gosto tanto de explicar esse protocolo. A lógica por trás dele é ao mesmo tempo simples e poderosa.
O que é o iPRF
iPRF significa Fibrina Rica em Plaquetas Injetável. Faz parte de uma família de protocolos que usam o próprio sangue como agente terapêutico.
O processo é simples de entender: colhemos uma pequena quantidade de sangue (como um exame de laboratório), centrifugamos em velocidade específica e separamos a fração mais rica em plaquetas e fatores de crescimento. Esse concentrado é o iPRF, que é então injetado nas regiões de interesse.
Por que o iPRF é diferente do PRP
O PRP foi a primeira geração dos concentrados plaquetários. Funciona bem, mas usa anticoagulante no processo, uma substância que não estava originalmente no sangue do paciente. Isso pode interferir na rede de fibrina e alterar o ambiente biológico do material.
O iPRF elimina completamente o anticoagulante. Sem nenhum aditivo. Uma única centrifugação, velocidade mais baixa e menor tempo, o que preserva mais leucócitos (células de defesa) e uma rede de fibrina mais natural. O resultado é um produto biologicamente mais próximo do que o organismo produziria sozinho.
O que as plaquetas fazem
As plaquetas não servem só para coagular o sangue. Elas carregam fatores de crescimento, substâncias que sinalizam para as células vizinhas que é hora de se regenerar, produzir colágeno, formar novos vasos e renovar a matriz extracelular. Quando concentramos essas plaquetas e as colocamos exatamente onde o tecido precisa, esse sinal de regeneração chega com muito mais intensidade.
Para que o iPRF é indicado
Olheiras vasculares (uma das indicações que mais gosto), queda de cabelo, melhora de qualidade de pele, cicatrizes, associado ao microagulhamento para potencializar o resultado, e como complemento de preenchimentos e bioestimuladores para melhorar a base do tecido.
O iPRF não é um procedimento isolado, é um potencializador. Quando entra no protocolo certo, melhora a qualidade do que foi feito antes e prolonga o resultado do que vem depois.
Como é a sessão
Coleta de sangue, centrifugação (cerca de 3 minutos), aplicação com microinjeções ou cânula dependendo da região. A sessão inteira leva de 30 a 45 minutos. Resultado progressivo ao longo de semanas, com resultado mais evidente a partir da segunda ou terceira sessão.
Raciocínio clínico e longevidade do resultado
O iPRF potencializa outros procedimentos porque melhora o que sustenta qualquer resultado estético: a qualidade celular do tecido. Preenchimento feito sobre uma pele bem regenerada dura mais. Bioestimulador associado ao iPRF entrega resposta colágena mais consistente. O raciocínio de associar protocolos que se complementam é o que torna cada procedimento mais eficiente, e mais duradouro.
Perguntas frequentes
iPRF dói?
A coleta de sangue é igual a um exame de laboratório. A aplicação pode ter algum desconforto dependendo da região, mas usamos anestesia tópica quando necessário.
Quantas sessões são necessárias?
Em geral, de 3 a 4 sessões mensais para o protocolo inicial, com manutenção a cada 4 a 6 meses. O número depende da indicação e da resposta individual.
iPRF pode ser feito junto com outros procedimentos?
Sim, e frequentemente é. A associação com microagulhamento, bioestimuladores e preenchimentos potencializa o resultado de cada um. O protocolo define a melhor ordem e combinação para cada caso.
Tem contraindicação?
Pacientes com distúrbios de coagulação, trombocitopenia ou em uso de anticoagulantes não são candidatos. A avaliação clínica define a indicação para cada caso.
