É a pergunta que mais aparece antes de uma primeira consulta: qual devo fazer, botox ou preenchimento? A resposta direta é que depende do que você quer tratar, porque os dois procedimentos atuam em mecanismos completamente distintos.
O que é botox e para que serve
"Botox" é o nome comercial mais conhecido da toxina botulínica tipo A — assim como "Gilette" virou sinônimo de aparelho de barbear. Existem outras marcas igualmente aprovadas pela Anvisa: Dysport (Ipsen), Xeomin (Merz) e Neuronox, entre outras. Na minha prática clínica, tenho preferência pelo Xeomin: é o único produto sem proteínas acessórias na formulação, o que reduz significativamente o risco de imunogenicidade — a formação de anticorpos que pode, ao longo de anos de aplicações regulares, comprometer a eficácia do tratamento. Para quem faz toxina botulínica como parte de um protocolo de longo prazo, pureza e segurança imunológica não são detalhes menores.
Independente da marca, o mecanismo é o mesmo: a toxina bloqueia temporariamente a comunicação entre o nervo e o músculo, relaxando-o e suavizando as rugas causadas pelas contrações repetidas.
A palavra-chave é muscular. O botox trata o que o músculo causa: linhas horizontais da testa, o número 11 entre as sobrancelhas, pés de galinha, lifting de sobrancelha, bruxismo, gummy smile.
O botox não preenche nada, não adiciona volume e não trata a perda de gordura ou sustentação do rosto.
O que é preenchimento e para que serve
Preenchimento é a aplicação de um gel na derme ou no subcutâneo para restaurar volume, preencher sulcos ou estruturar regiões do rosto. A palavra-chave é volume: sulco nasolabial profundo, olheiras estruturais, lábios finos, falta de projeção de mento ou mandíbula, perda de volume malar.
A distinção fundamental: rugas dinâmicas vs rugas estáticas
Rugas dinâmicas aparecem quando você faz expressão. Tratamento: botox.
Rugas estáticas estão presentes mesmo em repouso, causadas por perda de colágeno ou volume. Tratamento: preenchimento ou bioestimuladores.
Uma mesma ruga pode ter componente dinâmico e estático simultaneamente, e nesse caso a combinação dos dois é a abordagem mais completa.
Botox, Dysport ou Xeomin: qual a diferença real?
As três marcas contêm a mesma molécula ativa, mas diferem na formulação. Botox® e Dysport têm proteínas acessórias (complexantes) que estabilizam o produto. O Xeomin é a única formulação com toxina pura, sem essas proteínas. Para o paciente que faz uma aplicação esporádica, a diferença é mínima. Para quem faz manutenções regulares ao longo de anos, a formulação pura reduz o risco de o organismo desenvolver anticorpos neutralizantes — o que poderia, com o tempo, exigir doses maiores ou reduzir a duração do efeito. É por isso que prefiro o Xeomin em protocolos de longo prazo.
Quando usar os dois juntos
Na prática clínica, botox e preenchimento são muito mais frequentemente usados em conjunto do que isoladamente. Um exemplo: sulco nasolabial. O músculo contribui para o aprofundamento do sulco, e o botox pode relaxar parte dessa tração. Mas se há perda de volume real no terço médio, o preenchimento do malar complementa o resultado de forma que o botox sozinho não conseguiria.
O erro mais comum
O erro mais frequente é usar preenchimento em rugas exclusivamente dinâmicas. Preencher o número 11 com AH não vai funcionar se a causa é o músculo corrugador em hiperatividade. O produto vai se deslocar com o movimento e o resultado vai ser irregular. A indicação correta é botox.
Esse tipo de erro tem um custo duplo: o paciente gasta com um procedimento que não resolve o problema e depois precisa gastar novamente com o correto. É por isso que a avaliação criteriosa antes de qualquer indicação não é protocolo burocrático — é proteção do investimento. Quando a indicação é certa desde o início, o resultado dura mais, a manutenção fica menor e o custo ao longo do tempo cai significativamente.
Isso é parte do que orienta o Método NaturalUp®: buscar a durabilidade máxima de cada intervenção, para que o paciente precise cada vez menos de procedimentos ao longo do tempo — não cada vez mais.
Perguntas frequentes
Botox e preenchimento podem ser feitos no mesmo dia?
Na maioria dos casos, sim. Os dois procedimentos são independentes e podem ser realizados na mesma sessão.
Botox engessa o rosto?
Não, quando aplicado na dose correta. O efeito artificial é resultado de dose excessiva ou técnica inadequada.
Qual dura mais, botox ou preenchimento?
Em geral, o preenchimento dura mais: 9 a 24 meses dependendo da região. O botox dura em média 3 a 5 meses.
Referências
- Carruthers A, Carruthers J. Botulinum toxin type A: history and current cosmetic use in the upper face. Semin Cutan Med Surg. 2001;20(2):71-84.
- Kablik J, Monheit GD, Yu L, et al. Comparative physical and chemical properties of hyaluronic acid dermal fillers. Dermatol Surg. 2009;35(Suppl 1):302-312.
Quer saber o que faz mais sentido para o seu caso?
Botox, preenchimento ou a combinação: a resposta começa com uma avaliação.
